sexta-feira, 30 de maio de 2014

Vivências do estágio parte II (Segunda parcial)

Nessa segunda etapa mudei de área,  fui atender no consultório do Centro de Extensão Vila Fátima. Ja tinha uma ideia de como era pelo que as colegas que trabalharam lá antes contaram, estando lá tive oportunidade de confirmar que as dificuldades que elas relatavam são reais e influenciam diretamente no nosso trabalho. Acho que isso não é totalmente ruim (obvio que suturar com um porta agulha enorme que corta o fio é horrível) mas vai me ajudar a ver que nem tudo é tão fácil quanto na faculdade, que a vida real nos dá duas possibilidades: de adaptação ou de modificação. Cabe a quem se depara com elas decidir o que é melhor.

É praticamente impossível de modificar a realidade fazendo um estágio de quatro ou cinco dias.Sobra vontade, mas não tem como simplesmente impor a minha vontade de mudar sabendo que quem trabalha lá fez a opção de só se adaptar. Da pra ver que muitas vezes faltam recursos não porque não existem, mas porque ninguém se dispõe a procurar e organizar o consultorio, ou pior ainda, falta boa vontade. Por exemplo, na primeira cirurgia que a Andressa fez (minha dupla) eu perguntei pra auxiliar se tinha soro para fazer a odontosecçao e ela disse que não,  já na outra semana em que a professora Karen estava junto o soro surgiu do nada.
Em qualquer local de trabalho (não só no sus) o que move a mudança são as pessoas, não os recursos disponíveis.  Só vai ter melhores condições de trabalho quem for atrás delas.

Já traçado o ambiente de trabalho vamos as minhas experiências na prática...não quis fazer um relato diário, vou colocar só o que foi marcante. 
No primeiro dia de clínica atendemos uma paciente que estava com dor e necessitava extração de vários restos radiculares. Após o procedimento vimos que ela não era alfabetizada, e que provavelmente não conseguiria ler a receita e tomar a medicação corretamente, sendo assim o dentista da unidade ajustou os horários para que ela conseguisse fazer uso do medicamento (não deixou nenhum para ser tomado de madrugada) e explicou qual comprimido (qual cor) ela deveria tomar em cada horário, mas acho que poderia ter sido melhor. Ela tinha a filha em casa que poderia ler a receita mas, teriam mais autonomia se as receitas fossem feitas como a do exemplo a seguir: 
 Acho que seria util pra ela se a receita fosse,  a união da primeira com a segunda.  Colocar o desenho da noite e do dia e ao invés dos  comprimidos colados colocar adesivos ou algum tipo de marcação na receita e no remédio.  

Na segunda consulta atendi a paciente mais comportada do semestre! 
Foram a unidade ela um irmão e uma irmã,  todos com problemas dentais. Novamente tivemos que atuar de maneira curativista. As visitas domiciliares poderiam ter modificado essa situação. Com uma ação mais efetiva de ESF essa situação poderia ser evitada,  uma intervenção preventiva mostrando a importância da manutenção de saúde para essa família,  saúde em geral, não só odontológica. O entendimento da situação familiar, do sistema de cada um e da família como um todo possibilitaria que a informação fosse passada da melhor forma pelos agentes, o que não acontece no centro de extensão. 

Também nesse dia verifiquei a importância de uma anamnese bem feita,  a paciente que precisava fazer extração tinha febre reumática e não estava fazendo tratamento. Com isso tivemos que fazer profilaxia antibiotica. Com essa situação resolvi revisar as indicações da profilaxia: